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BANDIDO BOM É BANDIDO BRANCO

A glamourização do branco faz com que um mendigo, veja você, vire um mendigato; a traficante branca é chamada de jovem, linda e dentista pelo noticiário; a ladra de automóveis é chamada de estudante e garota… Corta pra mim. Agora … Continue lendo

MEMETOSCO

A glamourização do branco faz com que um mendigo, veja você, vire um mendigato; a traficante branca é chamada de jovem, linda e dentista pelo noticiário; a ladra de automóveis é chamada de estudante e garota…

Corta pra mim.

Agora eu te pergunto, se fossem negros qual seria o tratamento? Primeiro que o moleque sem camisa e sem estudo seria chamado de traficante perigoso e se sorrisse na foto o chamariam de cínico e frio, diriam que ele zombava da polícia e da sociedade.

Vai vendo.

A modelo loira, viciada em crack, ganhou tratamento gratuito, pago por uma emissora de TV.

Enquanto isso, “pretos imundos” tomam porrada na cracolândia.

A faculdade de medicina da USP tá cheia de estupradores brancos e ricos, não aparece um nome no noticiário, uma mísera foto.

As acusações são graves. As vítimas estão lá dando nomes. Cadê os perdigueiros, cadê os repórteres investigativos, quêde aqueles valentes jornalistas que entram em favelas com coletes à prova de bala, atrás do Caveirão a procurar adolescente aviãozinho, magro, de chinelos e sem camisa?

Custa dar um pulo na USP, respirar um ar puro e perguntar para as moças violentadas quem são os estupradores?

Estupradores, filhos de mulher, gente execrada até por bandidos perigosos, estão a ser protegidos pela mídia.

O macho branco tudo pode.

Recentes pesquisas do IPEA e do Ministério da Justiça revelam que a maioria das penas alternativas são aplicadas aos brancos, negros são com maior frequência condenados à prisão.

Depois perguntam por que diabos as focas estão a estuprar pinguins.

Palavra da salvação.

Lelê Teles

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SOBRE LUNÁTICOS, IMBECIS E PARANOICOS

Dizem que feliz é aquele que já acorda a gargalhar. Mas a gente não ri só de alegria. Nesse momento, me sinto um daqueles cabras que assistem vídeos de acidentes domésticos para rir da desgraça alheia. Explico-me. Hoje, logo ao … Continue lendo

patético

Dizem que feliz é aquele que já acorda a gargalhar.

Mas a gente não ri só de alegria. Nesse momento, me sinto um daqueles cabras que assistem vídeos de acidentes domésticos para rir da desgraça alheia.

Explico-me. Hoje, logo ao despertar, antes dos exercícios para alongar a coluna dorsal, deparo-me com essa no Tijolaço: “Procurador da República em Goiás, Ailton Benedito de Souza, expôs o MPF ao ridículo ao agir contra decisão do governo venezuelano de convocar 26 jovens do Brasil para compor uma tal Brigadas Populares de Comunicação”.

Você sabe, o Estado Islâmico está a recrutar cidadãos ingleses, na flor da idade, para a terrível guerrilha fundamentalista. Não seria nada estranho que o Estado Bolivariano estivesse a fazer o mesmo com ingênuos jovens petralhas.

Foi pensando nisso, quem não o pensaria, que o heroico procurador goiano vestiu sua capa, botou a cueca pelo lado de fora da calça, meteu nos olhos uma viseira e, alucinado, envenenado como todo midiota ao ouvir falar em Venezuela, saiu a procurar chifres em cabeça de cavalo.

E fez o que qualquer super heroi que se preze faria, mandou uma intimidante intimação ao nosso Itamaraty!

Sufocado pela gravata que usa em pleno deserto do cerrado, o goiano deu dez dias para o nosso desocupado Itamaraty levantar a identidade da garotada patrícia – delírio dele – e impedir que os nossos jovens ingressem no abominável exército bolivariano.

O diabo, previdente internauta, é que o procurador tem um péssimo faro pra perdigueiro, ele leu uma noticiazinha na internet e agiu midioticamente. Veja que coisa vexosa.

O Brasil, ao qual se referia o informe, é um mero bairro popular, uma quebrada, lá mesmo na Venezuela!

Pelas barbas de Bin Laden.

O Globo, veja que o goiano não está só, chegou ao disparate de chamar os venezuelanos de brasileiros. Pode isso, Arnaldo?

Pode, responde o arbitrário juiz, tudo bem pra quem publicou uma entrevista com um sósia de Felipão como se fosse o próprio Big Phill a falar.

Para impedir barrigas como essas será necessário, e urgentíssimo, se fazer uma cirurgia bariátrica em nossa mídia.

Ventilada aos quatro pontos cardeais do planeta, a trapalhada deu motivo para que o mundo inteiro acordasse hoje a gargalhar de Goiás, do Brasil e do patético promotor.

Essa bravata, vergonhosa, me fez lembrar do cãomunista Roberto Freire.

Certa vez o intrépido pernambucano leu uma noticiazinha no site G17 que afirmava ter Dilma cunhado uma herética frase endeusando Lula, o sapo barbudo, em uma cédula de 3 reais.

Quem não se indignaria?

Freire, como um patético patriota, foi ao twitter e denunciou ao país, em menos de 140 caracteres: “Isso é uma ignomínia! Dilma pede e BC coloca em circulação notas com a frase Lula Seja Louvado”.

Louvado seja o nosso senhor Jesus Cristo, como o ódio cega as pessoas.

Que vontade de fazer como o Mestre da Galileia, cuspir nas mãos cheias de barro, esfregá-las e friccioná-las nos olhos destes cabras para ver se a luz penetra.

É muita treva a nos atravancar.

Palavra da salvação.

Lelê Teles

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O BOM LADRÃO

O BOM LADRÃO   A palavra corrupção e corrupto nunca esteve tão em voga. Quem acabou de chegar no Planeta Terra está convicto de que foi o PT quem inventou essa contravenção.   Já a palavra corruptor, larga em nosso … Continue lendo

Enfrentando os fortes

O BOM LADRÃO
 
A palavra corrupção e corrupto nunca esteve tão em voga. Quem acabou de chegar no Planeta Terra está convicto de que foi o PT quem inventou essa contravenção.
 
Já a palavra corruptor, larga em nosso léxico, nunca fez parte do vocabulário da mídia familiar e nem dos cartazes dos midiotas.
 
A inevitável associação dicotômica corrupto/corruptor é um tabu no Brasil. Mesmo porque, sabemos todos, de corruptor e de louco todo brasileiro tem um pouco.
 
Atentai bem. 
 
O corrupto, funcionário público, é um bagre de escama ordinária. Já o corruptor sempre é um peixe grande. E aí é que mora o problema.
 
Toda vez que um tubarão é preso, Deus o absolve. 
 
Gilmar Mendes, essa eminente e ubíqua deidade, deu dois Habeas Corpus para o banqueiro Daniel Dantas em 48 horas; recorde olímpico, pan-americano e mundial que demorará mais tempo a ser batido do que o salto triplo do nosso João do Pulo.
 
Salvatori Cacciola, outro banqueiro escroque apanhado a delinquir, orou e Marco Aurélio Mello assinou um perdão e Caccio, oh glória, zarpou pra Europa com o bolso cheio de grana suja.
 
A tadição, desde a cruz de Cristo, é que Deus conceda o perdão aos bons ladrões. E Deus nos dias de hoje você sabe quem é, né? Se não sabe é melhor saber, a multa pelo crime de ateísmo jurídico está atualmente em 5 mil lascas.
 
Os midiotas dizem que bandido bom é bandido morto, mas isso é retórica reversa. Na real, a turba midiota só deseja a morte do bandido mau.
 
E nós sabemos como é que a revistaveja, jornalões e tevezonas definem quem é bom e quem é mau.
 
Veja o caso dessa traficante loira. A curitibana Marina Stresser de Oliveira. Mesmo flagrada com farto arsenal e uma fartura em drogas e munições, a criminosa não corre o menor risco de ser linchada e amarrada nua em um poste com um cadeado de bicicleta. 
 
Toda imprensa se esforça para compreender o que a levou a delinquir. É sempre assim. 
 
Dentista, loira, inteligente, vaidosa, bem sucedida e bem vestida… são as qualidades da moça, segunda a nossa imprensa. Por que será que ela se enveredou pelo mundo do crime, perguntam estarrecidos repórteres? 
 
No entanto, microfone em punho, esses mesmos repórteres se refestelam quando a polícia prende um moleque preto sem camisa e de chinelos, pego com dois papelotes de cocaína no alto de um morrro sujo e caótico.  
 
Não aparece um psicólogo ou sociólogo para dizer que não sendo loiro, nem dentista, nem vaidoso, nem bem de vida e nem bem vestido, era compreensivo que o jovem estivesse vulnerável à pequena contravenção.
 
Não, homens de bens é igual a homens de bem. Homens sem bens, são homens maus.
 
Atentai bem.
 
Penso nisso enquanto assisto ao elegante desfile de executivos milionários indo ao cárcere. A mídia faz média e é protocolar.
 
Por que diabos não vão pra cima destes cabras com sangue nos olhos, como foram pra cima de Genoíno e Delúbio Soares? Por que os petistas condenados foram linchados em praça pública, execrados pelos midiotas e até agora continuam amarrados a um poste com uma tranca de bicicleta e ninguém faz uma única piada com os corruptores?
 
Na condição de mero dactilógrafo, respostas não tenho. 
 
O natal vem aí e em seguida o Réveillon, é tempo de champanhe e caviar. Deus, generoso, há de deixar os nossos filantropos corruptores fazer a farra em Paris, guardanapos na cabeça.
 
Atentai para essa anedota arrebatadora.
 
Como profissional de marketing político, trabalhei na campanha do PSDB em Brasília em 2006. Lá conheci um sujeito chamado Buani, ele estava na companhia da esposa, que a mídia canalha e rasa batizou de musa do mensalinho. 
 
Buani era candidato a deputado, mas sua mulher é que apareceria na TV pedindo voto. Um fiasco. No estúdio, a moça sequer conseguia ler o texto no TP.
 
Buani era o dono da Fiorella, grife de lanchonetes que funcionavam dentro da Câmara dos Deputados. Para continuar parasitando os gordos auxílios alimentação dos servidores sem ser admoestado, Buani pagava um mensalinho de 10 mil lascas ao pequeno Severino Cavalcanti, então presidente da Casa. 
 
Buani, corruptor, embora tenha perdido as concessões que tinha para empresariar na Casa, saiu-se dessa como uma vítima. Severino teve que renunciar ao mandato e foi execrado pela mídia e pelos midiotas. Dois presos, duas medidas.
 
Estes elegantes corruptores de agora, nem precisarão dizer que foram achacados como o fez Buani. Deus os libertará com o divino benefício da delação premiada.
 
O diabo é que esse foi um recurso usado por satanás. Judas Iscariotes, eu já o disse, foi o primeiro malandro beneficiado pela delação premiada. Entregou o chefão e ainda saiu, ileso, com uma sacola cheia de moedas. 
 
Atentai bem.
 
 
MILAGRE
 
Estarreço-me ao ler o noticiário. Pizzolato se converteu, se evangelizou. 
 
Com mil diabos!
 
Jesus foi um prisioneiro, disso todos nós o sabemos. Tomou chicotadas, cusparadas, chutes na bunda, dedo no olho e ainda esfolaram-lhe o lombo no látego. 
 
Dali seguiu pra cruz, de lá pro túmulo e de lá já não se sabe pra onde. Desconfio que o Mestre tenha voltado pro cárcere, é impressionante a quantidade de gente que O encontra por lá.
 
Não conheço um que entrou na cela cristão e de lá saiu ateu; exemplo inverso há aos milhares. A cadeia é hoje o local com o maior índice de conversão ao cristianismo.
 
Pizzolato não fugiu à regra. Sentindo-se só, abandonado, faz uma genuflexão semântica e abre seu coração pra Jesus. 
 
O Bom Ladrão, aquele que se arrependeu aos 45 do segundo tempo, confessou-se gatuno e pediu perdão. Assim o faz até hoje todos os larápios que se convertem atrás das grades.
 
Mas Pizzo é inocente convicto…
 
Não faz sentido.
 
 
GOG E CHICO CÉSAR
 
Não espere nada do centro se a periferia está morta, dizia Fred Zero Quatro. E a perifa tá viva, elástica e transbordante. Antes se dizia “você pode sair da favela, mas a favela não sai de você”. Hoje pode-se dizer que você não entra na favela, mas a favela entra em você.
 
Essa força centrípeta, da periferia para o centro, ganhará mais força e legitimidade se tivermos Chico César no Ministério da Cultura e o poeta e rapper GOG comandando a Seppir.
 
Chega de tanta gravata. A periferia já não pode e já não deve mais aceitar apenas fazer figuração em campanhas de 4 em 4 anos.
 
Palavra da salvação.
 
Lelê Teles
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LOBÃO JOGA A TOALHA

Pelas barbas de Bin Laden, o nosso Lobão Elétrico quase entrou em curto ao se aproximar do vão do Masp neste sábado. Pelo Twitter, sua trincheira virtual, o caricato e rabugento ativista derrama um balde de água fria na própria … Continue lendo

bobão

Pelas barbas de Bin Laden, o nosso Lobão Elétrico quase entrou em curto ao se aproximar do vão do Masp neste sábado. Pelo Twitter, sua trincheira virtual, o caricato e rabugento ativista derrama um balde de água fria na própria cabeça.

Esse troço tá na moda.

“Cilada infame, tuitou Lobão com revolta e pesar, eu chego no Masp e a primeira coisa que vejo é um mega caminhão com um cartaz com os dizeres Intervenção Militar Já. Palhaçada”.

Desabafou, uivando. Qualquer filho de mulher com uma imaginação criativa conseguiria ver o músico no cimo de um penhasco, só a silhueta; ao fundo, uma enorme lua redonda e alva, o pescoço pra cima, a barba encanecida escorrendo pelo queixo e o uivo que saía de seu teclado.

“Tô fora, não sou moleque, nem o povo brasileiro. Gente não compactuem com essa imoralidade”.

Ele prossegue seu tuitriste lamento: “um monte de gente indo embora desapontadíssima com essa invasão de cretinos de extrema direita”.

Pausa pra fumar um cigarrinho de palha.

Cretinos de extrema direita? Com mil diabos, senhoras e senhores, o que Lobão esperava encontrar depois daquela palhaçada no Largo da Batata? Aliás, formulemos isso da maneira correta, o que mais ele poderia encontrar naquele ato senão um número ainda maior de midiotas encorajados pelos holofotes?

As reivindicações golpistas dessa turba, vomitadas no ato anterior, que atentavam debochadamente contra a constituição, não foram condenadas, foram na verdade veladamente estimuladas pelo nosso agora solitário Lobo da Estepe.

Bolsonaro esteve naquele fatídico ato, arma na cinta, representando as viúvas dos generais. Lobão também lá esteve, por que não condenou já ali, microfone em punho, essa catarse epilética.

Agora é tarde. Aqueles elegantes coxinhas de catupiri e ossobuco se envenenaram com uma pimenta fortíssima, derramada por Aécio sem parcimônia, não nos esqueçamos disso. Era seguindo orientações do general que estavam ali todos eles, com o pino da grana solta, sangue nos olhos.

A narrativa de ódio, dedo na cara e prepotência perpetradas pelo senador derrotado, o auto intitulado general, contaminou e encorajou uma tropa delirante de midiotas, desses que pedem intervenção ou impeachment, qualquer coisa que anule o resultado das urnas e faça valer a suas vontades.

Pouca gente havia no ato, sejamos francos (150 cabeças no Rio e em BH, 400 em Bsb). Mas uma gente barulhenta e holofótica. Uns a desfilar e fazer selfies – lembremos que essa gente não costuma caminhar pelas ruas – outros dando dedo e xingando palavrões, muitos espumavam contra o PT, os mais valentes queriam vestir farda.

Lobão, ao perceber tardiamente que colava sua imagem a um movimento ridículo, caricatural e bufão, resolveu tirar o corpo fora.

Não sem antes admitir que a causa tava perdida.

“Gente, nós estávamos cara a cara com o gol e esses babacas nos aprontam essa. Indo pra casa”.

Foi uma série de tuites seguidos. Um olhar mais arguto constataria que esse ritmo frenético e ofegante de tuitadas demonstrava uma necessidade imperativa e inadiável de se livrar de uma estado de profunda angústia  e decepção.

Lobão havia saído dos escombros do castelo que ele mesmo fez cair sobre si e alcançou um certo protagonismo midiático ao se insurgir contra Dilma.

Animado, chamou pra si a responsa, convocou a massa às ruas, mas lá chegando foi tomado por súbita estupefação.

A ficha dele caiu.

Uma hora cai.

E assim, triste e tuitante, Lobão volta pra casa enrolado na bandeira do Brasil, nem ficou pra cantar o hino com a moçada. Caminha cabisbaixo, a barba roçando o peito, os óculos embaçados, o rabo felpudo entre as pernas, com vergonha de encontrar algum comediante pelo caminho.

De roqueiro rebelde, o artista se converteu em líder dos midiotas, herói dos cretinos reacionários que agora condena, mas que outrora lhes dava ração na boca, alimentando a massa cheirosa com seu destempero, sua irresponsabilidade histórica, seu pretenso saber e seu ódio estupidificante.

Escritor, Lobão deverá se dedicar agora a escrever O Manifesto do Nada na Terra do Nunca II, o enredo tá pronto. Ególatra, ele é o protagonista.

O nosso Lobãoquixote, cavaleiro de triste figura.

Palavra da salvação.

Lelê Teles

 

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