Por “apologia à tortura”, MBL exige remoção de crucifixos em todo o país

Vão-se as cruzes, ficam os escapulários

Vão-se as cruzes, ficam os escapulários

 

JARDIM DAS AFLIÇÕES DA INFÂNCIA – Imbuída de zelo inquisitorial, movimentava-se na noite do último domingo uma multidão de crianças de variadas idades em direção ao Superior Tribunal Federal. Tochas em riste, aos militantes do Movimento Brasil Livre animava a missão de remover da Corte todos os exemplares tomados por “arte degenerada”.

Waltercio Ramos, curador do Tribunal, já estava resignado a abrir mão das “Tarsilas e Portinaris”, mas se surpreendeu ao tomar conhecimento do verdadeiro alvo da repulsa dos ativistas. “Imagina tirar todos os crucifixos das repartições públicas! Vai desmatar mais madeira que Belo Monte”, disse Ramos.

Para Kim Kataguiri, coordenador nacional do grupo, não faz sentido pregar a imagem de um homem sendo torturado em “praticamente todos os cômodos” do país. “A tortura é inaceitável”, pontificou o jovem, num megafone, “exceto em casos em que é preciso torturar para salvaguardar outros direitos mais importantes, como a luta contra o petismo e a pouca vergonha”.

Já Fernando Holiday, vereador eleito por São Paulo, considera que as prisões preventivas demoradas, que se tornaram mais comuns desde o início da Lava Jato, “equivalem à tortura”. “Manter um símbolo de tortura soa como uma ameaça para todas as autoridades. Precisamos poder trabalhar em paz, e isso não é possível sob o cano de um crucifixo”, afirmou exaltado o edil paulistano.

Após não terem sua exigência atendida, o MBL afirmou que protocolará uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, exigindo também a implosão da estátua A Justiça, situada em frente ao Tribunal. No texto do documento, lê-se que “uma estátua vendada, com peitos de fora e espada à mão é obviamente uma apologia ao sadomasoquismo.” Segundo um ativista, que preferiu não se identificar, a estátua e os crucifixos serão removidos, pela ADIN, ou “por uma ação direta à moda antiga mesmo”.

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